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Cinema da favela e sempre por nós mesmos

Por: 5xFavela
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Está cada vez mais próxima a estreia de 5x Favela, Agora por nós mesmos. E um dos maiores motivos de alegria neste momento é saber que cinema fica ainda melhor quando feito a muitas mãos. Para viabilizar o conceito principal do filme, resumido no subtítulo “agora por nós mesmos”, a produção de 5x Favela exigiu a montagem de uma estrutura inédita no cinema brasileiro.

Esse filme é um projeto coletivo onde os roteiros de cada episódio surgiram de oficinas realizadas em parceria com cinco organizações que já desenvolviam algum programa ligado ao audiovisual: CUFA (Central Única das Favelas, na Cidade de Deus), AfroReggae (Vigário Geral), Nós do Morro (Vidigal), Observatório de Favelas (Complexo da Maré) e Cinemaneiro (que funciona na Lapa e atende várias comunidades da Linha Amarela).

Cada sala, em cada organização, tinha cerca de 50 alunos criando de forma coletiva e democrática, buscando gerar histórias que representassem seus autores e também o grupo. Quem coordenou essas oficinas e os roteiros finais foi Rafael Dragaud, professor de roteiro do curso de audiovisual da CUFA. Esse trabalho incrível lhe rendeu o Prêmio de Melhor Roteiro no Paulínia Festival de Cinema 2010.

A CUFA, situada na Cidade de Deus, é liderada por Celso Athayde, que desde o início abraçou o projeto de forma apaixonada e foi responsável por impulsionar a costura das parcerias com as organizações. A Central Única das Favelas surgiu da união de jovens de diversas favelas (o rapper MV Bill, por exemplo, foi um desses fundadores), que buscavam exatamente possibilidades e espaços de expressão e debate.

O Grupo Cultural AfroReggae, que é coordenado pelo fundador José Junior, foi fundado em 1993, com atividades voltadas para jovens moradores das favelas. O objetivo sempre foi possibilitar opções que os ajudassem a construir sua cidadania, afastando-os do cotidiano de violência.

O Nós do Morro existe desde 1986, quando foi fundado no Morro do Vidigal por Guti Fraga, que desde então atua como coordenador dessa ONG que tem como objetivo de proporcionar maior acesso à arte e à cultura para os jovens e adultos da comunidade, oferecendo cursos de formação nas áreas de teatro e cinema.

O Observatório de Favelas, coordenado por Jailson de Souza, é uma organização que funciona no Complexo da Maré desde 2001. Sua atuação nacional busca contribuir com o debate sobre proposições políticas sobre favelas e fenômenos urbanos.

As Oficinas Cinemaneiro funcionam, desde 2002, na Lapa e atendem várias comunidades localizadas no entorno da Linha Amarela. São oficinas de inclusão social voltadas para atividades ligadas ao universo do audiovisual.

A história do 5x Favela, Agora por nós mesmos não seria possível se essas cinco organizações não tivessem dado as mãos para realizar esse sonho. O processo de criação conjunta foi fundamental para que o projeto tomasse corpo e fosse inserido no mercado formal de cinema brasileiro.

É com muito orgulho que essa história chega aos cinemas no dia 27 de agosto. Esperamos vocês lá!


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5xfavela por Rafael Dragaud

Por: 5xFavela
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Rafael Dragaud em Cannes

- Como foi o seu trabalho no processo de desenvolvimento dos roteiros até chegar ao tratamento final?

As oficinas duraram três meses, reuniram mais de 200 alunos e aconteceram em ONGs que funcionam no Vidigal (Nós do Morro), Parada de Lucas (AfroReggae), Lapa (Cinemaneiro, atendendo várias comunidades), Complexo do Alemão (Central Única das Favelas) e Complexo da Maré (Observatório das Favelas). Num primeiro momento, os alunos foram convidados a se sentir capazes de criar um filme.

A idéia era: vocês podem sim fazer um filme! E que tipo de filme seria esse? O que importa num filme? O que é um filme bom pra vocês? Como fazer um filme que seja a sua cara, e não a cara da novela ou de outros filmes que não representam a favela?  Em seguida, eles apresentavam ideias, sentimentos, e passamos algumas aulas transformando essas coisas em argumentos de cinco linhas e clareando ideias, trajetórias, conflitos. Essa etapa foi dedicada a todos entenderem sobre o que é a proposta do filme, pois em cinco linhas só se comunica o essencial.

Depois que cada um conseguiu fechar um argumento de cinco linhas minimamente claro, aí sim rolou a votação. Depois do melhor argumento eleito, dividi a turma em grupos e comecei a ensinar como desenvolver uma sinopse de 15 linhas com todos os personagens da trama e com começo, meio e fim. Depois dessa etapa, elegemos as melhores ideias das sinopses e as reunimos em uma única sinopse. Em seguida, ensinei a fazer uma escaleta, seguindo esse mesmo processo. Escolhemos os melhores momentos das escaletas dos quatro grupos e reunimos numa escaleta única. Depois, ensinei a fazer cenas e diálogos. Mais uma vez, elegemos as melhores cenas e juntamos num roteiro único. Por fim, fizemos um polimento final para que as cenas tivessem unidade de intenção, linguagem e ritmo.

- Qual era sua expectativa inicial sobre o projeto 5xFavela? Quais desafios você via no projeto?

Eu não crio muita expectativa com meus projetos. Mas posso te garantir que jamais imaginei que alcançaríamos um resultado tão coeso e tão diverso ao mesmo tempo, tão relevante… Cannes, etc.. Os desafios são aqueles que têm a ver com todo projeto pioneiro: quebrar as barreiras, criar novos modelos, preconceito, descrença… Alias uma coisa que me surpreendeu muito nesse filme foi a dificuldade em conseguirmos apoio. Não consigo imaginar que algo que tenha o Caca na coordenação geral e que seja tão importante pro Brasil tenha essa dificuldade.. Mas foi o que aconteceu. Se não fosse a teimosia do Cacá e da Renata esse projeto ficaria numa gaveta.
- Os episódios falam de pessoas e abordam sentimentos que são universais. De que forma você percebe o reflexo da vivência na favela na forma que as pessoas elaboraram o roteiro?

Acho que existe uma forma de amor que eu só percebo na favela, entre os pobres. Eu não sou a favor de romantizar a vida do pobre apenas porque ele é pobre, mas de verdade não vejo isso em outros lugares. É um jeito de viver mais mergulhado na vida. Não conheço, por exemplo, pobre blasé, deprimido, essas coisas… Pobre não têm tempo pra perder com isso!  Acho também que todos os episódios abordam de certa forma a questão da “oportunidade”. Interpreto isso como uma manifestação de um desejo muito forte do coletivo de pessoas que foram ouvidas nas oficinas. É como se a favela clamasse por oportunidade, seja ela a primeira, a segunda ou a terceira. Todo mundo tem direito e parece que a favela não. Acho que ela quis usar o filme pra poeticamente dizer isso. É lógico que disse muitas outras coisas, mas essa é que mais me marcou.

- O que esse trabalho trouxe de novo para a sua experiência profissional e/ou pessoal?

Eu dou aula de roteiro há 7 anos no curso de audiovisual da CUFA, ou seja, eu já tenho essa vivência. Mas “o novo” é o orgulho de ter contribuído com um projeto que voou mais longe e voou bonito! Esse projeto é um marco histórico no audiovisual brasileiro. Ele fala de Brasil, de um jeito brasileiro de fazer cinema, um jeito verdadeiro e nosso. Me perguntam se acho que o filme vai bombar na bilheteria. Na boa, que os diretores e Caca não me ouçam, mas num to nem aí! Entramos pra história com esse filme. Será ótimo festejar um sucesso de bilheteria, mas pensar apenas nisso é pensar pequeno. Esse filme é sem duvida uma das coisas mais relevantes que já fiz.

- O que você considera mais audacioso no 5xFavela e por quê?
Acreditar em pessoas que ninguém acredita. quer dizer, ninguém acreditava. Porque agora não tem mais jeito! Perdeu, playboy!

- Pensando em modos de se fazer cinema, qual a diferença entre esse filme e outros que abordam a temática de favela? O que é, para você, essa visão “por nós mesmos”?

É apenas isso. Agora é a vez de a própria favela contar sua versão. Essa idéia é de uma simplicidade desconcertante. Alias, pra mim, essa é a essência da genialidade: a simplicidade. E acho que é por isso que as pessoas ficam tão impactadas.  Outro dia, eu saque um história que tem a ver com isso… Todo mundo sabe que o Gianfrancesco Guarnieri escreveu em 1958 a peça Eles Não Usam Black Tie (que depois, em 1981, inspirou o filme de mesmo nome, do Leon Hirszman). O bacana é quando o Adoniram Barbosa foi compor a música pra peça, fez uma “pequena” modificação no título.  Ele compôs um samba chamado “Nóis Não Usa os Bleque Tais”. Mudou a pessoa do verbo da mesma forma que a gente agora. Quer dizer, o Adoniram era tão operário quanto o Tião da peça que tem que furar a greve porque a namorada ta grávida e ele não pode correr o risco de perder o emprego. O Adoniram se sentiu e talvez estivesse mesmo mais próximo do Tião do que o próprio Gianfrascesco. Enfim, essa história tem a mesma natureza da que estamos falando com o Cinco Vezes Favela. As posições, as vezes ficam claras em alguns processos e  isso é bom pra todo mundo.

- Quais desafios a equipe encontrou durante o desenvolvimento do roteiro?
Falta de grana… o resto no fundo é divertido!


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FONTE DE RENDA

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Jovem realiza seu sonho de ser bem sucedido no vestibular e entrar para uma Faculdade de Direito, mas passa a encontrar dificuldades para dar conta dos gastos com livros, alimentação e transporte. Ele então se sente atraído a vender drogas para amigos da faculdade, lucrando com isso o suficiente para custear seus estudos.

Direção – Manaira Carneiro & Wavá Novais
Argumento – Vilson Almeida
de Oliveira
Roteiro
– Oficina Cidadela/Cinemaneiro (Linha Amarela)

Elenco:

Silvio Guindane – Maicon

Gregório Duvivier – Edu

Hugo Carvana – Dos Santos

Dandara Guerra – Sofia

Sarita Rodrigues – Mariete

Renzo Aprouch & Carlos Eduardo Nunes – Marlon


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ARROZ COM FEIJÃO

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Para conseguir construir um quarto para o filho único, os pais de Wesley, de 12 anos, são obrigados a reduzir o cardápio de casa a arroz com feijão. No dia do aniversário do pai, o menino se junta ao amigo Orelha e sai, sem muito sucesso, em busca de recursos para comprar um frango de presente para ele.

Direção – Rodrigo Felha & Cacau Amaral
Argumento – José Antônio Silva
Roteiro – Oficina CUFA (Cidade de Deus)

Elenco:

Juan Paiva – Wesley

Pablo Vinicius – Orelha

Ruy Guerra – Seu Manoel

Flávio Bauraqui – Raimundo

Renata Tavares – Judite


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CONCERTO PARA VIOLINO

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Ainda crianças, Márcia, Jota e Ademir fazem um juramento de amizade eterna. Agora adultos, com cerca de 20 anos de idade, Jota foi para o tráfico de drogas e Ademir entrou para a polícia. O enfrentamento entre os dois pode impedir que Márcia, agora violinista, realize seu sonho de uma bolsa de estudos musicais na Europa.

Direção – Luciano Vidigal
Argumento – Rodrigo Cardozo
Roteiro – Oficina Afroreggae (Parada de Lucas)

Elenco:

Thiago Martins – Jota

Cintia Rosa – Márcia

Samuel de Assis – Ademir

Feijão – Tizil

Edyr Duqui – Mãe

Jayme Del Cueto – Coronel


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DEIXA VOAR

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Flavio, 17 anos, é morador de uma favela carioca. Ele deixa a pipa de um amigo “voar” e agora tem que ir buscá-la na favela de uma facção rival à que ele mora, onde a pipa caiu. Mesmo com medo da aventura, ele vai buscar a pipa, descobrindo que as pessoas da favela rival em nada diferem das de onde ele mora.

Direção– Cadu Barcellos
Argumento – Cadu Barcellos
Roteiro – Observatório de Favelas (Complexo da Maré)

Elenco:

Vitor Carvalho – Flavio

Joyce Lohanne – Carol

Luis Fernando – Buiu

Gleison Silva – Rafael

Luciano Vidigal – Pardal

Marcelo Mello – Alex

Zózimo Bulbul – Homem do Bar