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Reflexões sobre Gramado

Por: Silvio Guindane
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Tenho um carinho muito grande por Gramado, lá vi o primeiro filme que fiz na minha vida, lá ainda uma sendo uma criança, eu vi aquele sonho de ser ator começar a se realizar e definitivamente em Gramado a vida me mostrou um caminho que eu poderia traçar. Depois desse primeiro festival de Gramado muita coisa mudou, comecei a ser chamado para trabalhar em outras produções, comecei a estudar teatro, ajudar a minha família, em fim …fui pra arena do dia a dia do mercado de trabalho.

Retornei a Gramado outras vezes, estas sempre me trouxeram alegria e uma certa nostalgia, porém este ano de 2010 foi diferente; este ano senti uma alegria sem igual e nem me liguei na nostalgia de “Ah! Foi aqui que tudo começou…”. Fui a Gramado representando dois filmes “Cinco vezes favela” e “Broder”. Dois filmes que se diferenciam dos demais da atualidade pela originalidade de olhar, dois filmes que falam de pessoas simples, de uma realidade filmada de dentro, e esses dois filmes tem uma semelhança nos créditos (Tirando o meu nome e o da Cintia) é o nome de Carlos Diegues, este que por ironia do destino foi o primeiro cineasta que me chamou para filmar depois daquele meu primeiro filme ,que falo a cima, e acompanha a minha carreira de perto, assistindo as peças que faço, os filmes e até nos momentos pessoais barra pesada está presente(Lembra daquele acidente Renata e Cacá?).

Uma vez Cacá me falou “Silvio esse filme(5xfavela) eles que têm que fazer, porque eles sabem bem do que estão falando” Dito e feito. Foi lindo ver em Gramado o olhar das pessoas após a exibição do filme, até o público mais aristocrata se identifica com o filme, pois 5xfavela, fala acima de tudo sobre relações humanas, amor, simplicidade e dispensa a melancolia da classe média, vejo que as pessoas estão cansadas de sentir e ver esta melancolia, a classe média, quem diria….. Sinto que 5xfavela cumpri um poder que o cinema tem de entreter e gerar reflexão. “5xFavela” me fez notar que as pessoas estão se preocupando e se tornar seres humanos melhores e menos preconceituosos. Não posso deixar de colocar nessa reflexão um momento que foi histórico quando o critico Luiz Carlos Merten reuniu a equipe dos Filmes “Broder”e “5xfavela” para uma entrevista e este estava mais empolgado do que nós, víamos nele um espectador que gostou muito do que viu, nos sentimos em casa naquele momento. Eu acho que é isso, não senti neste ano a nostalgia que sentia nos outros anos que retornei a Gramado, pois me senti em casa com esta equipe e com este filme, é como se eu voltasse a ter o sonho e a sinceridade que eu tinha com 12 anos sabe? Dizem que o ator estuda a vida inteira para voltar a ter a o desprendimento e originalidade de uma criança, e este ano consegui passar este momento. 5xFavela serviu para mim como um grande recomeço, Gramado 2010 foi pra mim um festival tão marcante quando o de 1996. Obrigado Renata e Cacá por dar para nós atores e diretores da nova geração oportunidade de se lançar e de se reinventar.

Merda pra nós!!!!


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Entrevista com Manaíra Carneiro

Por: 5xFavela
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Antes de viajar para representar o 5x Favela na sessão especial do Festival de Gramado, que acontece no dia 07, nós reproduzimos a entrevista que a diretora Manaíra Carneiro (Fonte de Renda) deu para a revista Le Film Français. Confiram!

Quais as condições em que o filme foi filmado?

A equipe surgiu de oficinas de cinema oferecidas para jovens que moram em favelas cariocas. Durante as filmagens esses jovens uniram-se a profissionais experientes da área, o que possibilitou a troca de habilidades entre as duas gerações de profissionais no cinema brasileiro.

Qual a principal dificuldade que você encontrou durante a aventura de fazer o filme e qual o eventual ensinamento que vc tirou dela?

A divisão da direção do filme com meu companheiro Wagner Novais exigiu mais empenho dos dois no filme, pois tínhamos que desenvolver ali um método de trabalho diferente ao qual estávamos habituados, mas o resultado foi a soma de duas visões de mundo que se uniram e puderam se expressar de forma singular. O maior ensinamento que tiro do filme foi o poder do trabalho em grupo e o entendimento de como funciona a criatividade colaborativa.

Que concepção você tem de seu ofício de realizador e/ou produtor?

Entendo como uma ferramenta de mudança. O cinema para mim é a mediação entre o que o mundo é e o que ele pode ser. Uma ferramenta que transgride mediocridades do dia-a-dia. Porque para viver é preciso muito mais que a rotina, é preciso sonhar e empreender seus sonhos. Ás vezes sou mais empreendedora de sonhos.

Qual o momento da realização e/ou produção que você mais gosta e por que?

Gosto da criação do roteiro, porque é a primeira forma palpável de uma idéia; primeiro ela vira um aglomerado de palavras, depois vira vozes e gestos de atores que personificam a história, e depois, enfim, ela vira imagens que tomam formas por si mesmas, e acabam não me pertencendo mais. Gosto muito desses processos de transformação da linguagem, em especial dos ensaios e direção de atores, pois ali se enxerga a alma dos personagens.

Como você se coloca em relação à tradição cinematográfica do seu pais e a sua geração?

Me sinto parte de um movimento que busca a democratização dos meios de expressão. Acho que é um rumo sem volta, estamos pluralizando as vozes. E me sinto parte disso, pois é isso que busco em meu cinema. Vejo essa pluralização como um benefício enorme para o cinema brasileiro, pois é um cinema que vem crescendo e que já sofreu muito em outras épocas, e necessário num país com muitas nuances.

De que forma você integra as novas tecnologias no seu trabalho e você pensa que forma essas novas tecnologias fazem evoluir a sua concepção do cinema?

Só pude ter acesso ao cinema por causa das novas tecnologias, então para o meu trabalho, é natural o uso delas. È quase impossível não me utilizar da internet, de câmeras digitais e softwares de edição. Já nasci submersa nesse meio. Com certeza a concepção de cinema evolui através delas, cinema se reinventa o tempo todo, está sempre aliando o técnico e o humano , as novas tecnologias são indispensáveis para sua evolução.

Na sua opinião qual a importância do Festival de Cannes e como você recebeu o anuncio de que estava na seleção oficial deste ano?

Quando soube da notícia passou minha vida toda pela cabeça, o quanto trabalhamos para que desse certo. Na verdade ainda estou digerindo é a minha primeira viajem internacional, primeiro longa. É a estréia de muitos eventos na minha vida.

Quais são os seus novos projetos?

Estou finalizando um roteiro de animação na escola de Cinema Darcy Ribeiro, têm muitas ideias, difícil organizá-las, até. Mas quero fazer essa animação experimentar muitas outras coisas.


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5xfavela por Rafael Dragaud

Por: 5xFavela
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Rafael Dragaud em Cannes

- Como foi o seu trabalho no processo de desenvolvimento dos roteiros até chegar ao tratamento final?

As oficinas duraram três meses, reuniram mais de 200 alunos e aconteceram em ONGs que funcionam no Vidigal (Nós do Morro), Parada de Lucas (AfroReggae), Lapa (Cinemaneiro, atendendo várias comunidades), Complexo do Alemão (Central Única das Favelas) e Complexo da Maré (Observatório das Favelas). Num primeiro momento, os alunos foram convidados a se sentir capazes de criar um filme.

A idéia era: vocês podem sim fazer um filme! E que tipo de filme seria esse? O que importa num filme? O que é um filme bom pra vocês? Como fazer um filme que seja a sua cara, e não a cara da novela ou de outros filmes que não representam a favela?  Em seguida, eles apresentavam ideias, sentimentos, e passamos algumas aulas transformando essas coisas em argumentos de cinco linhas e clareando ideias, trajetórias, conflitos. Essa etapa foi dedicada a todos entenderem sobre o que é a proposta do filme, pois em cinco linhas só se comunica o essencial.

Depois que cada um conseguiu fechar um argumento de cinco linhas minimamente claro, aí sim rolou a votação. Depois do melhor argumento eleito, dividi a turma em grupos e comecei a ensinar como desenvolver uma sinopse de 15 linhas com todos os personagens da trama e com começo, meio e fim. Depois dessa etapa, elegemos as melhores ideias das sinopses e as reunimos em uma única sinopse. Em seguida, ensinei a fazer uma escaleta, seguindo esse mesmo processo. Escolhemos os melhores momentos das escaletas dos quatro grupos e reunimos numa escaleta única. Depois, ensinei a fazer cenas e diálogos. Mais uma vez, elegemos as melhores cenas e juntamos num roteiro único. Por fim, fizemos um polimento final para que as cenas tivessem unidade de intenção, linguagem e ritmo.

- Qual era sua expectativa inicial sobre o projeto 5xFavela? Quais desafios você via no projeto?

Eu não crio muita expectativa com meus projetos. Mas posso te garantir que jamais imaginei que alcançaríamos um resultado tão coeso e tão diverso ao mesmo tempo, tão relevante… Cannes, etc.. Os desafios são aqueles que têm a ver com todo projeto pioneiro: quebrar as barreiras, criar novos modelos, preconceito, descrença… Alias uma coisa que me surpreendeu muito nesse filme foi a dificuldade em conseguirmos apoio. Não consigo imaginar que algo que tenha o Caca na coordenação geral e que seja tão importante pro Brasil tenha essa dificuldade.. Mas foi o que aconteceu. Se não fosse a teimosia do Cacá e da Renata esse projeto ficaria numa gaveta.
- Os episódios falam de pessoas e abordam sentimentos que são universais. De que forma você percebe o reflexo da vivência na favela na forma que as pessoas elaboraram o roteiro?

Acho que existe uma forma de amor que eu só percebo na favela, entre os pobres. Eu não sou a favor de romantizar a vida do pobre apenas porque ele é pobre, mas de verdade não vejo isso em outros lugares. É um jeito de viver mais mergulhado na vida. Não conheço, por exemplo, pobre blasé, deprimido, essas coisas… Pobre não têm tempo pra perder com isso!  Acho também que todos os episódios abordam de certa forma a questão da “oportunidade”. Interpreto isso como uma manifestação de um desejo muito forte do coletivo de pessoas que foram ouvidas nas oficinas. É como se a favela clamasse por oportunidade, seja ela a primeira, a segunda ou a terceira. Todo mundo tem direito e parece que a favela não. Acho que ela quis usar o filme pra poeticamente dizer isso. É lógico que disse muitas outras coisas, mas essa é que mais me marcou.

- O que esse trabalho trouxe de novo para a sua experiência profissional e/ou pessoal?

Eu dou aula de roteiro há 7 anos no curso de audiovisual da CUFA, ou seja, eu já tenho essa vivência. Mas “o novo” é o orgulho de ter contribuído com um projeto que voou mais longe e voou bonito! Esse projeto é um marco histórico no audiovisual brasileiro. Ele fala de Brasil, de um jeito brasileiro de fazer cinema, um jeito verdadeiro e nosso. Me perguntam se acho que o filme vai bombar na bilheteria. Na boa, que os diretores e Caca não me ouçam, mas num to nem aí! Entramos pra história com esse filme. Será ótimo festejar um sucesso de bilheteria, mas pensar apenas nisso é pensar pequeno. Esse filme é sem duvida uma das coisas mais relevantes que já fiz.

- O que você considera mais audacioso no 5xFavela e por quê?
Acreditar em pessoas que ninguém acredita. quer dizer, ninguém acreditava. Porque agora não tem mais jeito! Perdeu, playboy!

- Pensando em modos de se fazer cinema, qual a diferença entre esse filme e outros que abordam a temática de favela? O que é, para você, essa visão “por nós mesmos”?

É apenas isso. Agora é a vez de a própria favela contar sua versão. Essa idéia é de uma simplicidade desconcertante. Alias, pra mim, essa é a essência da genialidade: a simplicidade. E acho que é por isso que as pessoas ficam tão impactadas.  Outro dia, eu saque um história que tem a ver com isso… Todo mundo sabe que o Gianfrancesco Guarnieri escreveu em 1958 a peça Eles Não Usam Black Tie (que depois, em 1981, inspirou o filme de mesmo nome, do Leon Hirszman). O bacana é quando o Adoniram Barbosa foi compor a música pra peça, fez uma “pequena” modificação no título.  Ele compôs um samba chamado “Nóis Não Usa os Bleque Tais”. Mudou a pessoa do verbo da mesma forma que a gente agora. Quer dizer, o Adoniram era tão operário quanto o Tião da peça que tem que furar a greve porque a namorada ta grávida e ele não pode correr o risco de perder o emprego. O Adoniram se sentiu e talvez estivesse mesmo mais próximo do Tião do que o próprio Gianfrascesco. Enfim, essa história tem a mesma natureza da que estamos falando com o Cinco Vezes Favela. As posições, as vezes ficam claras em alguns processos e  isso é bom pra todo mundo.

- Quais desafios a equipe encontrou durante o desenvolvimento do roteiro?
Falta de grana… o resto no fundo é divertido!


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FONTE DE RENDA

Por: 5xFavela
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Jovem realiza seu sonho de ser bem sucedido no vestibular e entrar para uma Faculdade de Direito, mas passa a encontrar dificuldades para dar conta dos gastos com livros, alimentação e transporte. Ele então se sente atraído a vender drogas para amigos da faculdade, lucrando com isso o suficiente para custear seus estudos.

Direção – Manaira Carneiro & Wavá Novais
Argumento – Vilson Almeida
de Oliveira
Roteiro
– Oficina Cidadela/Cinemaneiro (Linha Amarela)

Elenco:

Silvio Guindane – Maicon

Gregório Duvivier – Edu

Hugo Carvana – Dos Santos

Dandara Guerra – Sofia

Sarita Rodrigues – Mariete

Renzo Aprouch & Carlos Eduardo Nunes – Marlon