Festival Paulínia

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“5x Favela” mundo afora!

Por: 5xFavela
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5x favela

Equipe reunida em São Paulo, em semana de pré-estreia!

O frio na barriga, decorrente da proximidade da estreia nacional de 5x Favela, Agora por nós mesmos, só aumenta. Os primeiros passos do projeto já foram dados há muito tempo, mas, a cada dia que passa, temos mais certeza dos frutos que já foram colhidos e dos que ainda estão por vir.

Depois da participação no Festival de Cannes, no Festival de Paulínia (com sucesso total, sete prêmios!) e no Festival de Gramado, já temos muito mais o que comemorar!

O filme já recebeu convites oficiais para para participar dos festivais de Biarritz (França), San Francisco (EUA), Douro (Portugal), Yokohama (Japão), Antalya (Turquia) e Havana (Cuba). São inúmeros motivos que só aumentam a felicidade de todos que participaram e continuam participando dessa história!

Se vocês estão tão ansiosos quanto nós sobre os próximos passos nessa estrada do 5x Favela, Agora por nós mesmos, não deixem de conferir o vídeo abaixo (fotos e edição: Bernardo Pontes) com fotos da passagem da equipe pela pré-estreia de São Paulo na semana passada.

E não se esqueçam: próxima sexta-feira, dia 27 de agosto, entramos nos cinemas! Chegou a hora!

Nos vemos lá!


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Gramado vem aí!

Por: 5xFavela
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A estrada de pré-estreias do filme “5x Favela, Agora por nós mesmos” está cada vez mais recheada de exibições emocionantes.

Em maio tivemos a sessão do Festival de Cannes, onde nosso filme foi exibido fora de competição. Sucesso total, equipe reunida e muita emoção!

Já em julho, a produção participou do Paulínia Festival de Cinema 2010 e saiu de lá com muitos motivos para comemorar: sete prêmios! Melhor Filme de Ficção, Melhor Ator Coadjuvante (Márcio Vito, pelo episódio ‘Acende a luz’), Melhor Atriz Coadjuvante (Dila Guerra, pelo episódio ‘Acende a luz’), Melhor Roteiro (Rafael Dragaud), Melhor Montagem (Quito Ribeiro), Melhor Trilha Sonora (Guto Graça Melo) e Melhor Longa de Ficção pelo Júri Popular. Foi um recorde na história do Festival!

E não termina por aí. O filme também ganhou o Prêmio Margarida de Prata da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O prêmio foi criado em 1967, pela Central Católica de Cinema, e premia produções que valorizam reflexões sobre a cultura, os valores humanos e a ética.

Como o caminho está apenas começando, temos mais novidades! Amanhã, dia 06 de agosto, acontece a abertura do 38º Festival de Cinema de Gramado. E é com muita honra que o nosso longa metragem participa da sessão especial de sábado, dia 07, às 23h.

Uma equipe especial estará cobrindo o Festival para que possamos atualizar nossas notícias com fotos, vídeos e muito mais informações! Não deixem de acompanhar nossas redes!

Confira abaixo a entrevista de Cacá Diegues, produtor do filme, em Cannes.

E vamos em frente, pois está só começando!


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O começo de uma história

Por: Márcio Vito
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Márcio Vito

O ator Márcio Vito em cena no episódio "Acende a Luz", de Luciana Bezerra.

Minha expectativa era poder ser inserido numa galera que eu admiro. Estabelecer uma troca, contribuir com alguma coisa era o plus. Eu queria estar aqui. O clube era muito seleto e bom. Cacá Diegues, a galera da Cufa, o projeto, a ligação com Leon Horszman e o cinema novo, enfim. Era um alvo muito distante, mas eu sabia que poderia treinar a pontaria com afinco pra tentar chegar perto. Acertar o quadro do alvo pelo menos. Deixar sem furos a parede (falou o rei das metáforas). Eu via tudo isso como uma coisa só. A minha expectativa de estar no projeto já era em si um desafio. Depois surgiram outros, mas esse já era grande o bastante.

Do início: eu recebi um convite para fazer um teste. Vida de ator é teste. Eu não faço muitos. Não que eu deteste, mas sempre fico com a sensação de que parar a vida de ator e algum trabalho de teatro para fazer um teste junto com mais cem atores e sendo mal ratado, atrapalha tudo. Nunca vou feliz pra teste e sempre saio pior do que cheguei. Mas esse era diferente. Apareceu diferente na minha vida. Era um teste-leitura. E leitura eu amo fazer. Adoro descobrir personagem enquanto escuto as falas dos outros, enquanto imagino a cena construída.

Mandaram o texto e a empolgação aumentou. Chamei minha esposa pra ler o roteiro no computador e disse: ‘eu vou fazer o Lopes, eu tenho que ser este cara’. Nem sabia ainda para que papel tinham pensado para mim. Mas estava decidido a ameaçar o Raoni de nunca mais indicá-lo pra nada se ele não me deixasse ler o Lopes. Daí era a Luciana Bezerra que dirigiria. Eu já a acompanhava há muito tempo, como atriz forte que é e também pelo seu trabalho com o “Nós do morro”. Estava gravando a única novela na qual eu tive um personagem de ponta a ponta na história (Emmy Caminho das Índias!!! desculpem, me empolguei) e me pareceu que isso já seria suficiente para me impedir de estar no filme. Puxa, eu gravava pouco, haveria de dar certo.

Mas até aí eu não tinha feito a tal leitura. Em casa estava almoçando e jantando o roteiro da Luciana. No café da manhã voltei (como sempre faço quando o assunto é humor) ao meu gênio inspirador maior – Buster Keaton. Tenho tudo dele. Pirata, mas tenho. Enfim, letra marcada. A ansiedade de ser bacana me fez chegar um pouco atrasado no Laura Alvim. Achei um bom presságio ser no porão Rogério Cardoso. Lá fiz ótimas apresentações do monólogo de humor que tenho, onde represento o Barão de Itararé sob direção do também ator Nelson Xavier (falo pra caramba, né?!). Pensei que chegaria lá e leria o roteiro com algumas pessoas do elenco e a Luciana. Rapaz, eu entrei no porão e estava lotado. Eu nem olhei pros lados. Percebi o Cacá, falei com o Raoni e me escondi numa cadeira perto da parede lá no fundo, com o coração na mão. Fiz a bobagem de correr os olhos pela platéia e o peito só apertava. Tem um cara ali que é a cara do Caetano Veloso,  não fosse pelos óculos … Ai meu Deus, é ele! Ruy Guerra?! Claro, a produção é do Cacá, imbecil. Olhei mais um pouco e uma figura amiga. Um cara que conheço e admiro há muitos e muitos anos, um irmão que não via há tempos, destes que a vida separa em seu roteiro, mas não deixar esfriar no coração. Era o Guti Fraga. Trabalhei com ele quando tinha 19 anos. Fui assistente de produção num projeto onde ele era assistente de direção do Walter Lima Jr. Ufa, mais um. Quito. Bem pertinho. Acalmei e lá fomos nós.

Ouvi as histórias lidas. Lembro que me emocionei (como todas as vezes em que vi o filme, foram três) com Concerto para Violino. Ri muito também. Chegou nossa hora de ler e rapidinho pensei que a sensação de conhecer pouca gente estava a meu favor e lá fomos nós. Amei. Estava indo bem. Foi dando certo. O pessoal gostou. Eu me diverti muito muito muito. Fiquei com medo, me emocionei, ri e quando decidir ficar com ou sem peça pra consertar a luz, já estava mais do que decidido a brigar para ser o Lopes. No final, Ruy Guerra disse uma peróla que me fez pensar no diapasão dele, era algo sobre a importancia de não tentar ser engraçado, deixar que a situação em que o personagem estava fosse propulsora de riso, sem buscá-lo no personagem.

Foi ótimo estar ali. No que se conversava depois, surgiu a ideia de “por eles mesmos” ser “por nós mesmos”. E me senti mais dentro de tudo mais ainda. O Guti me deu um abraço generoso e eu estava mais do que confiante. Claro que isso não foi suficiente. Graças aos deuses do teatro, nunca é. Só o esforço confere vitória. Sem esforço, ou com esforço reduzido, a gente samba. Fiz mais três testes. A agenda de gravação quase me derrubou, mas entre um dalit e um técnico de luz, duas vezes gravei um e filmei o outro no mesmo dia, e numa destas jornadas fiquei 32 horas trabalhando.

E ainda querem que eu não chore ao ver o filme em Cannes, francamente.


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Paulínia consagra o cinema da diversidade

Por: 5xFavela
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Por Luiz Zanin Oricchio
Texto publicado no blog do autor  http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/paulinia-consagra-a-diversidade

Os antigos excluídos se incluíram a si mesmos e triunfaram em Paulínia. “5 x Favela”, o coletivo em que moradores de comunidade olham para sua própria realidade, ganhou o prêmio de melhor filme, além vários outros troféus incluindo o do público. “Bróder”, pungente retrato do Capão Redondo, dirigido pelo cineasta Jeferson De, recebeu três prêmios do júri oficial e mais o troféu da crítica.

O curta-metragem “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro, que trabalha um tema gay, emplacou a tríplice coroa: melhor filme pelo júri oficial (além de roteiro), prêmio do público e prêmio da crítica. Ao receber um dos troféus, o diretor brincou: “É uma contradição um filme gay levar tantas ‘meninas’ para casa”, alusão ao nome do troféu de Paulínia, Menina de Ouro.

Nos prêmios dados aos documentários, a mesma tendência. O mais premiado, com os troféus de melhor filme e direção, foi “Leite e Ferro”, de Cláudia Priscilla, um retrato do universo das detentas que amamentam seus bebês na prisão. E “Lixo Extraordinário”, vencedor do prêmio do público, aborda o cotidiano dos habitantes do lixão carioca Jardim Gramacho sob a ótica do badalado artista plástico Vik Muniz, também ele oriundo da periferia.

Enfim, nunca a perifa, sob suas várias vertentes, esteve tão na fita quanto nesta 3ª edição do Festival de Paulínia. Mas, para provar que não havia preconceitos contra brancos e heteros, e nem contra o riso e a leveza, o júri oficial premiou de maneira consistente a ótima comédia romântica e dramática de Flávio Tambellini, “Malu de Bicicleta”, que levou as estatuetas de direção, ator (Marcelo Serrado) e atriz (Fernanda de Freitas). O filme é basedo no romance homônimo de Marcelo Rubens Paiva, colunista do Estado, e conta a história de um paquera paulista que, atropelado no sentido físico e metafórico por uma ciclista carioca, transforma-se em apaixonado monstro de ciúmes. Essa versão bem-humorada de Otelo é bem divertida, além de sutil.

Não existia, portanto, nada de explicitamente ideológico na predisposição dos júris. Apenas o desejo de premiar aqueles filmes que lhes parecessem os melhores entre os concorrentes. Coincidiu de encontrar entre eles ótimas amostras de um cinema que, pela primeira vez, tem no excluído não apenas seu tema, mas agora o agente e testemunho de si mesmo.

Quem expressou muito bem essa situação inédita foi o cineasta Jeferson De, que o ator Jonathan Haagensen chamou de “Spike Lee brasileiro”: “A gente começou a década com Cidade de Deus, e os negros que estavam lá, na frente das câmeras, passaram para trás”, disse. Verdade. De protagonistas, como são no filme famoso de Fernando Meirelles, os negros e favelados foram “promovidos” a cineastas e passaram a mostrar a sua realidade sob sua ótica, com sua linguagem e em seus próprios termos. É um movimento que vai além do âmbito cinematográfico e deve ser avaliado no nível da sua repercussão social. Paulínia teve a sensibilidade de flagrar esse momento. Premiá-lo significa dar-lhe destaque e realçá-lo diante do público.

Esse é o sentido maior deste festival que, como todos, teve também seus percalços. Um em especial, a presença na competição de um filme como a comédia “Dores & Amores”, sem qualquer condição de figurar na mostra oficial de um festival nível A. Foi um vacilo da curadoria. Que precisa ficar esperta, pois sempre existe quem se prontifique a fazer generalizações e condenar o festival em seu todo a partir de um único passo em falso. O projeto de Paulínia é muito sério e não pode abrir flancos para a ação do jornalismo marrom. Por sorte, o júri corrigiu esse tropeço principal, e outros menores, e simplesmente limou da premiação os concorrentes mais toscos. Preferiu concentrar prêmios nos filmes que realmente valiam a pena.

O resultado, em si, foi correto, sem ser brilhante. Por exemplo: Bróder e 5 x Favela são obras muito equivalentes, tanto do ponto de vista da qualidade como da proposta. Poderiam ser equilibradas, por exemplo com um prêmio de direção a Jeferson De. Tivesse agido dessa forma, o júri explicitaria melhor uma tendência subjacente ao festival. O retrato ficaria mais nítido.

Algo semelhante pode ser dito sobre os documentários. Leite e Ferro é ok, um bonito filme, talvez um pouco refém a mais do encanto das personagens para se tornar consistente de verdade. Talvez não seja tão superior assim a Uma Noite em 67 ou a Programa Casé, ambos baseados em rica pesquisa de material histórico e de muito diálogo com o público. Ou mesmo São Paulo Companhia de Dança, um estudo empenhado sobre o corpo humano, a música e a dança. Os três foram solenemente ignorados.

Mesma objeção para a premiação de curtas-metragens. É compreensível que Eu não Quero Voltar Sozinho tenha caído no gosto do júri oficial, do público e de parte significativa da crítica. Tem qualidades para isso. A sofisticada animação Tempestade foi premiada com o troféu de direção para César Cabral, o que lhe caiu bem. Mas um filme tão sensível e belo como o mineiro Ensolarado, de Ricardo Targino, foi ignorado. Está na seleção oficial de Locarno, onde talvez tenha melhor sorte que em seu próprio país.

No todo, fica a lembrança de um belo festival que, ao mesclar mesclar obras autorais a outras de maior diálogo com o público, acabou por detectar uma tendência importante da cultura brasileira: a autonomia audiovisual de camadas antes excluídas. Revelar e premiar essa vertente em seu nascedouro é, de fato, o que importa. O resto é frivolidade.

Texto extraído do blog do autor  http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/paulinia-consagra-a-diversidade/


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Fernando Meirelles elogia os diretores

Por: 5xFavela
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Cacá,

Estou muito feliz com o monte de prêmios que vocês ganharam em Paulínia. Ainda não assisti o filme, mas já está na cara que você criou um marco. Escancarou as portas para uma geração que chega cheia de vontade.
Parabéns por mais essa,  extensivo a toda a rapaziada.

abraço,
Fernando


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Salve ao cinema

Por: Cacau Amaral
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Estamos há alguns minutos da cerimônia de encerramento do III Festival de Paulínia. Deu um tremendo frio na barriga. Senti isso pela primeira vez na Mostra do Filme Livre, no Rio, em 2005, onde recebi o prêmio de melhor curta por “1 Ano e 1 Dia”, meu primeiro curta. De lá pra cá foram 51 festivais e ainda não consigo acostumar.

Agora começou a premiação em Paulínia. Ganhamos o prêmio de melhor filme segundo o júri popular. Estou com minha filmadora ligada. Não sei se desligo, se a levo pro palco, se entrego à mina da produção. Discursos inflamados, sorrisos. Toda equipe em cima do palco. O teatro é enorme, está lotado. 1000 pessoas? Não sei. Minha perna treme. Fotos. Fotos. Nos sentamos e segue a premiação. Receber o prêmio do júri popular é o maior pagamento que poderia receber. Não me canso em repetir que não fazemos filmes pra ganhar prêmios, fazemos pro público. Se o próprio público nos premia… Não tem preço.

Mais um prêmio. Desta vez melhor trilha sonora. Mal nos sentávamos e os mestres de cerimônia anunciavam outro prêmio; melhor montagem; melhor atriz coadjuvante, Dila Guerra subiu ao palco pra receber. Melhor ator coadjuvante. Gritei para Dila “Nem volta. Já pega o do Márcio Vito”. Depois foi a vez de Rafael Dragaud subir ao palco. Melhor roteiro.

Nossos parceiros não ficavam pra trás. Vira-e-mexe Bróder subia ao palco pra receber um, dois, três, quatro prêmios. Esse filme pra mim é como se fosse o próprio 5x favela. Jeferson D é um dos caras que mais admiro no cinema brasileiro. Fora isso ainda tem dois atores que fazem ambos os filmes, a Cíntia Rosa e Sílvio Guindane. Este último me deu um monte de alegria no fim de semana ao declarar em público que Arroz com feijão parece inofensivo, mas é uma critica social dura.

Pra fechar, o prêmio maior da noite: Melhor filme segundo o júri oficial. Recebemos sete prêmios no total. Com mais quatro do Broder são onze vezes periferia.

Na festa após a cerimônia, após todos irem embora; eu, Felha e Jeferson brindamos e filosofamos sobre passado, presente e futuro do cinema brasileiro. Concordamos que vivemos um momento ímpar. Nossa geração encerra a primeira década do século XXI, desta vez por trás das câmeras. Como seria daqui a outra década? Existe um movimento iniciado por um monte de vidaloka. Cacá Diegues comprou essa briga há um tempo. Paulínia comprou a mesma briga hoje. Desejo um brinde a todos que botam a cara e quebram paradigmas. Um salve ao cinema!