Concerto para Violino

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Luciano Vidigal na Revista O Globo de hoje!

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Luciano Vidigal

Luciano Vidigal, na Revista O Globo de hoje!

Luciano Vidigal, diretor do episódio ‘Concerto para Violino’, saiu hoje, domingo, na Revista O Globo.

A matéria, assinada por Karla Monteiro, com foto de Gustavo Pellizzon, conta um pouco da história do diretor, de sua carreira e do processo de realização de 5x Favela, Agora por nós mesmos.

Vale à pena conferir!

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Matéria

Trecho da matéria com Luciano Vidigal da Revista O Globo de hoje!

Não se esqueçam: o filme já está em cartaz e o público é fundamental para o trabalho continue sendo visto no país inteiro!

Vamos lotar nossas sessões! Está um sucesso, galera!

Confira aqui nossa programação.

Nos vemos por lá!

Até!


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Luciano Vidigal:”Chegou a vez do povo filmar o povo”.

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Luciano Vidigal no set do filme Concerto Para Violino

Tá chegando a hora do lançamento do filme! É no dia 27 de agosto, não esqueçam! Hoje vamos conhecer um pouco mais do diretor Luciano Vidigal (Concerto para Violino) que concedeu essa entrevista para a revista Le Film Français! Não percam!

Quais as condições em que o filme foi filmado?

Nas melhores condições possíveis. Filmamos em película, com emoção, conforto e com muita cultura brasileira. É muito gratificante quando você ganha respeito através do seu trabalho. Acredito e sou otimista que o 5x favela, Agora Por Nós Mesmos  vai trazer respeito para nós cineastas oriundos das favelas.

Qual a principal dificuldade que você encontrou durante a aventura de fazer o filme e qual o eventual ensinamento que vc tirou dela?

Na fase de roteiro. Você tem de concretizar toda a humanidade possível, fugir dos clichês e trabalhar sua simplicidade e criatividade. Não é fácil… O ensinamento que vou levar pra minha vida é que arte tem poder inacreditável, que é lindo transformar através do cinema.

Que concepção você tem de seu ofício de realisador e/ou produtor?

Que somos uma geração de cineasta que tivemos o privilégio e estrutura para expressar um outro ponto de vista sobre o povo brasileiro. Chegou a vez do povo filmar o povo.

Qual o momento da realização e/ou produção que você mais gosta e por que?

Gosto do momento em que estamos no ato da filmagem. Acho singular e mágico ver a nossa imaginação presente e ao vivo.

Como você se coloca em relação a tradição cinematográfica do seu pais e a sua geração?

No Brasil, especificamente, não é fácil realizar filmes, por várias questões politicas e capitalistas, mas acho que a minha geração está conseguindo uma expressão, também através da tecnologia digital.

De que forma você integra as novas tecnologias no seu trabalho e  na sua concepção do cinema?

A minha maior forma de trabalhar com a tecnologia são as manifestações populares, ou seja o povo. Acho que temos a obrigação de acompanhar a evolução tecnológica e sempre tentar a inclusão no mercado de trabalho através da qualidade.

Na sua opinião qual a importância do Festival de Cannes e como você recebeu o anuncio de que estava na seleção oficial deste ano?

Como todos devem saber, o festival de Cannes é o maior festival de cinema do mundo. Todos os países do mundo estão participando e observando os filmes que passam por lá. Uma grande chance de mostrar seu trabalho e consegui novas oportunidades para seu filme ou mesmo para seu próximo projeto.

Quais são os seus novos projetos?

Estou finalizando um longa documentário, chamado “Copa Vidigal”, que eu dirigi. O filme retrata a trajetória de um professor de futebol, da favela do Vidigal, que organiza um campeonato depois de uma longa e violenta guerra entre traficantes, com o objetivo de trazer a paz para um lugar traumatizado. Atualmente é o projeto dos meus sonhos. Estou totalmente envolvido com o conteúdo dos personagens do documentário.


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5xfavela por Rafael Dragaud

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Rafael Dragaud em Cannes

- Como foi o seu trabalho no processo de desenvolvimento dos roteiros até chegar ao tratamento final?

As oficinas duraram três meses, reuniram mais de 200 alunos e aconteceram em ONGs que funcionam no Vidigal (Nós do Morro), Parada de Lucas (AfroReggae), Lapa (Cinemaneiro, atendendo várias comunidades), Complexo do Alemão (Central Única das Favelas) e Complexo da Maré (Observatório das Favelas). Num primeiro momento, os alunos foram convidados a se sentir capazes de criar um filme.

A idéia era: vocês podem sim fazer um filme! E que tipo de filme seria esse? O que importa num filme? O que é um filme bom pra vocês? Como fazer um filme que seja a sua cara, e não a cara da novela ou de outros filmes que não representam a favela?  Em seguida, eles apresentavam ideias, sentimentos, e passamos algumas aulas transformando essas coisas em argumentos de cinco linhas e clareando ideias, trajetórias, conflitos. Essa etapa foi dedicada a todos entenderem sobre o que é a proposta do filme, pois em cinco linhas só se comunica o essencial.

Depois que cada um conseguiu fechar um argumento de cinco linhas minimamente claro, aí sim rolou a votação. Depois do melhor argumento eleito, dividi a turma em grupos e comecei a ensinar como desenvolver uma sinopse de 15 linhas com todos os personagens da trama e com começo, meio e fim. Depois dessa etapa, elegemos as melhores ideias das sinopses e as reunimos em uma única sinopse. Em seguida, ensinei a fazer uma escaleta, seguindo esse mesmo processo. Escolhemos os melhores momentos das escaletas dos quatro grupos e reunimos numa escaleta única. Depois, ensinei a fazer cenas e diálogos. Mais uma vez, elegemos as melhores cenas e juntamos num roteiro único. Por fim, fizemos um polimento final para que as cenas tivessem unidade de intenção, linguagem e ritmo.

- Qual era sua expectativa inicial sobre o projeto 5xFavela? Quais desafios você via no projeto?

Eu não crio muita expectativa com meus projetos. Mas posso te garantir que jamais imaginei que alcançaríamos um resultado tão coeso e tão diverso ao mesmo tempo, tão relevante… Cannes, etc.. Os desafios são aqueles que têm a ver com todo projeto pioneiro: quebrar as barreiras, criar novos modelos, preconceito, descrença… Alias uma coisa que me surpreendeu muito nesse filme foi a dificuldade em conseguirmos apoio. Não consigo imaginar que algo que tenha o Caca na coordenação geral e que seja tão importante pro Brasil tenha essa dificuldade.. Mas foi o que aconteceu. Se não fosse a teimosia do Cacá e da Renata esse projeto ficaria numa gaveta.
- Os episódios falam de pessoas e abordam sentimentos que são universais. De que forma você percebe o reflexo da vivência na favela na forma que as pessoas elaboraram o roteiro?

Acho que existe uma forma de amor que eu só percebo na favela, entre os pobres. Eu não sou a favor de romantizar a vida do pobre apenas porque ele é pobre, mas de verdade não vejo isso em outros lugares. É um jeito de viver mais mergulhado na vida. Não conheço, por exemplo, pobre blasé, deprimido, essas coisas… Pobre não têm tempo pra perder com isso!  Acho também que todos os episódios abordam de certa forma a questão da “oportunidade”. Interpreto isso como uma manifestação de um desejo muito forte do coletivo de pessoas que foram ouvidas nas oficinas. É como se a favela clamasse por oportunidade, seja ela a primeira, a segunda ou a terceira. Todo mundo tem direito e parece que a favela não. Acho que ela quis usar o filme pra poeticamente dizer isso. É lógico que disse muitas outras coisas, mas essa é que mais me marcou.

- O que esse trabalho trouxe de novo para a sua experiência profissional e/ou pessoal?

Eu dou aula de roteiro há 7 anos no curso de audiovisual da CUFA, ou seja, eu já tenho essa vivência. Mas “o novo” é o orgulho de ter contribuído com um projeto que voou mais longe e voou bonito! Esse projeto é um marco histórico no audiovisual brasileiro. Ele fala de Brasil, de um jeito brasileiro de fazer cinema, um jeito verdadeiro e nosso. Me perguntam se acho que o filme vai bombar na bilheteria. Na boa, que os diretores e Caca não me ouçam, mas num to nem aí! Entramos pra história com esse filme. Será ótimo festejar um sucesso de bilheteria, mas pensar apenas nisso é pensar pequeno. Esse filme é sem duvida uma das coisas mais relevantes que já fiz.

- O que você considera mais audacioso no 5xFavela e por quê?
Acreditar em pessoas que ninguém acredita. quer dizer, ninguém acreditava. Porque agora não tem mais jeito! Perdeu, playboy!

- Pensando em modos de se fazer cinema, qual a diferença entre esse filme e outros que abordam a temática de favela? O que é, para você, essa visão “por nós mesmos”?

É apenas isso. Agora é a vez de a própria favela contar sua versão. Essa idéia é de uma simplicidade desconcertante. Alias, pra mim, essa é a essência da genialidade: a simplicidade. E acho que é por isso que as pessoas ficam tão impactadas.  Outro dia, eu saque um história que tem a ver com isso… Todo mundo sabe que o Gianfrancesco Guarnieri escreveu em 1958 a peça Eles Não Usam Black Tie (que depois, em 1981, inspirou o filme de mesmo nome, do Leon Hirszman). O bacana é quando o Adoniram Barbosa foi compor a música pra peça, fez uma “pequena” modificação no título.  Ele compôs um samba chamado “Nóis Não Usa os Bleque Tais”. Mudou a pessoa do verbo da mesma forma que a gente agora. Quer dizer, o Adoniram era tão operário quanto o Tião da peça que tem que furar a greve porque a namorada ta grávida e ele não pode correr o risco de perder o emprego. O Adoniram se sentiu e talvez estivesse mesmo mais próximo do Tião do que o próprio Gianfrascesco. Enfim, essa história tem a mesma natureza da que estamos falando com o Cinco Vezes Favela. As posições, as vezes ficam claras em alguns processos e  isso é bom pra todo mundo.

- Quais desafios a equipe encontrou durante o desenvolvimento do roteiro?
Falta de grana… o resto no fundo é divertido!


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Infinitas histórias pra contar

Por: Bernardo Pontes
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5 Favelas, 7 diretores, 9 oficinas, 559 inscritos e infinitas histórias pra contar

Rio de Janeiro, 9 de março de 2009, essa data marca o início de quando a história do projeto “5x Favela, Agora por nós Mesmos” na época ainda chamado de “eles mesmos”, começou verdadeiramente na minha opinião. Nessa dia estávamos eu e a amável produtora Bia Castro entrando na Comunidade da Maré, no núcleo do Observatório de Favelas, para o primeiro dia de inscricões para as oficinas preparatórias do filme.

Até então, com apenas 21 anos, não tinha percebido o quanto o projeto era maravilhoso e grandioso. O quanto aquela simples inscrição nas oficinas de preparação significava para aquelas pessoas. Enxergavam aquela oportunidade como uma forma de futuro. Um inicio na carreira cinematográfica.

E assim foi durante toda a semana, cada dia numa comunidade, centenas de pessoas inscritas, muitas histórias contadas. Na grande maioria, relatos de partir o coração.
Lembro como se fosse hoje eu entrando em Parada de Lucas, sem conhecer nada, ao entrar numa rua indicada vejo troncos de madeira e grandes pedaços de pedra interceptando a passagem de carro. Na hora pensei e comentei com a Bia: “Será que podemos passar?”. E ela me respondeu corajosamente: “Se não podemos, nós iremos, pois já tem mais de 40 pessoas nos esperando no AfroReggae”. E lá fomos nós para mais um dia de inscrições.

Das 559 pessoas inscritas devo confessar que uma história em especial me sensibilizou. A história de Valdir do Nascimento. O roteiro não poderia ser tão perfeito e graças ao talento dele até então totalmente desconhecido, ele poderá tornar o sonho dele realidade.

Era a vez do Vidigal e lá estava a dupla dinâmica realizando as inscrições no Nós do Morro. Sem dúvida o dia mais intenso nas inscrições das oficinas. Eram muitas pessoas, dúvidas e alguns pontos na ficha de inscrição que precisavam ser checados para saber se tinham sido preenchido corretamente.
Ao pegar uma ficha já preenchida, notei que não tinha nem o endereço nem o telefone. Achei muito estranho e começei a chamar o nome, para poder identificar a pessoa.  Até que sobe a escada um rapaz, meio sem graça, sem entender do porque estar sendo chamado diz:
- O Sr. chamou Valdir do Nascimento?
- Sim, é porque na sua ficha você não colocou nem endereço e nem telefone.

E na resposta dele, na voz baixa e envergonhada começou a sua história.

- O Sr. me desculpe, mas é que eu cheguei no Rio faz uma semana da Paraíba e não decorei o nome da minha rua. E como eu não conheço ninguem ainda, não posso te dar nenhum telefone, pois eu também não tenho celular.

Agora era a minha vez de não saber pra onde olhar. Totalmente sem graça, reparei em sua ficha que tinha optado pela oficina de elenco, e perguntei:
- Porque optou pela oficina de elenco? E veio mais uma resposta de rachar um coração no meio.

- Porque meu sonho é ser ator. E nessa oficina eu posso aprender e quem sabe aparecer no cinema lá na Paraíba pra todos meus familiares terem orgulho de mim. Sem resposta, o parabenizei pela iniciativa e me despedi perguntando como faria pra entrar em contato.

Graças ao seu talento, ele despertou durante as oficinas um grande interesse no brilhante Diretor Luciano Vidigal, que o queria para o papel de um dos policiais. E aí começou a saga para achar o “Valdir do Nascimento”, visto que sem telefone era humanamente impossível a comunicação com ele. Felizmente o nosso produtor de elenco, Raoni Seixas, conseguiu localiza-lo, ele passou em todos os testes de elenco e enfim conseguirá encher de orgulho seus familiares na Paraíba.

Cada segundo vivido desde as inscrições, passando pelas oficinas até os dias exaustivos de filmagem, eu pude perceber no olhar daquelas pessoas que não era apenas um filme que eles estavam produzindo e participando. Era muito mais. Uma vida que estava começando. Muitas pessoas tinham largado o emprego pra começar dentro de uma area que sempre sonhou trabalhar, mas pela falta de oportunidade, nunca puderam tornar o sonho realidade.

Valdir dos Nascimento nas filmagens do Concerto para Violino na Maré

Em cada favela, beco ou casa que entrei durante a produção do filme pude perceber que a vida é exatamente igual a que vejo diariamente na zona sul da cidade, guardadas as devidas proporções quanto ao nivel social, mas me refiro as pessoas. Nesses locais pude ver o valor a vida, o quanto precisamos ser humanos e saber que seja no Leblon ou no Vidigal, no Jardim Botânico ou na Maré, temos que viver numa comunidade, como vi em cada local visitado. E não viver numa prisão domiciliar como é muito comum nos prédios da classe media que muitas das vezes, se não fosse as reuniões de condomínio, nem o seu vizinho você saberia quem é.

Diante disso, gostaria de finalizar agradecendo à todas as pessoas que estiveram junto comigo nesse projeto e dizer que absorvei como nunca, cada segundo ao lado dessas pessoas maravilhosas que acima de tudo são referência, não só pelos seus talentos cinematográficos, mas como seres humanos. Fica a saudade daquele dia a dia maravilhoso das oficinas e filmagens e principalmente a anciedade de ver nas telas do cinema seja em imagem ou nos créditos finas, as pessoas que estiveram comigo desde o inicio das inscrições do projeto.


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CONCERTO PARA VIOLINO

Por: 5xFavela
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Ainda crianças, Márcia, Jota e Ademir fazem um juramento de amizade eterna. Agora adultos, com cerca de 20 anos de idade, Jota foi para o tráfico de drogas e Ademir entrou para a polícia. O enfrentamento entre os dois pode impedir que Márcia, agora violinista, realize seu sonho de uma bolsa de estudos musicais na Europa.

Direção – Luciano Vidigal
Argumento – Rodrigo Cardozo
Roteiro – Oficina Afroreggae (Parada de Lucas)

Elenco:

Thiago Martins – Jota

Cintia Rosa – Márcia

Samuel de Assis – Ademir

Feijão – Tizil

Edyr Duqui – Mãe

Jayme Del Cueto – Coronel


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Um tiro certeiro

Por: 5xFavela
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          O último episódio de 5x favela, agora por nós mesmos, conta com experiência e competência dos profissionais da Farjalla FX, na realização dos tiros, sangue e fogo.
Com as armas cenográficas produzidas por material sintético ou pistolas verdadeiras (e adaptadas), muitos macetes e efeitos especiais fazem com que Márcio Farjalla e seus assistentes dão realidade às cenas ação.
          Márcio é sobrinho de Sérgio Farjalla, pioneiro dos efeitos especiais no Brasil, e usando de delicadeza de pintor e precisão de cirurgião, faz surgir tiros e incêndios. São esses, um dos poucos recursos que são necessários para que o episódio Concerto para Violino, do Diretor Luciano Vidigal, ganhe veracidade e beleza.