ACENDE A LUZ

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‘meu destino era o nós do morro’: lançamento do livro de luciana bezerra

Por: 5xFavela
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O sucesso de 5x Favela, Agora por nós mesmos não para no filme. Além da produção, od diretores estão envolvidos em seus outros projetos. E divulgá-los é um grande prazer nosso!

Por isso, temos a grande honra de convidá-los para o lançamento do livro Meu Destino Era o Nós do Morro (editora Aeroplano), da diretora Luciana Bezerra. Além de ter dirigido um dos episódios do filme, Acende a Luz, Luciana é uma das coordenadoras do coletivo Nós do Morro, e resolveu contar um pouco de sua estrada pra gente.

O evento é amanhã, quinta-feira, dia 02 de setembro, às 19h,na Livraria Argumento, no Leblon. Logo depois estão todos convidados para um show no casarão do Nós do Morro, no Vidigal. A festança vai até duas da manhã, com roda de samba liderada por Emilia Lins e bandas como Melanina Carioca e Quarteto Cara de Pau. A noite termina com o DJ Micael Borges.

Ou seja: não vai faltar animação para comemorar essa super vitória da Luciana!

Confira aqui o lindo convite em anexo e não deixe de comparecer e prestigiar!

Nos vemos lá!

Convite

Convite para o lançamento, confira os detalhes aqui!


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Luciana Bezerra e seu ‘Acende a Luz’ (entrevista)

Por: 5xFavela
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Luciana BezerraNa expectativa da estréia de 5x Favela, Agora por nós mesmos, publicamos a entrevista que a diretora Luciana Bezerra (Acende a Luz) concedeu à revista Le Filme Fraçais. Confiram!

Quais as condições em que o filme foi filmado?

O 5x Favela foi filmado usando as leis de incentivo do Governo, que permitem que você capte recursos financeiros junto a empresas privadas. A Luz Mágica, produtora do filme, é uma produtora especializada em cinema e a ideia do filme nasceu da cabeça do diretor da produtora, então este é, antes de ser um filme com argumento e direção que levam minha assinatura, um projeto de Carlos Diegues. E acredito que sua  qualidade e sua realização só foram possíveis por ser um projeto deste cineasta.

Qual a principal dificuldade que você encontrou durante a aventura de fazer o filme e qual eventual ensinamento que você tirou dela?

O Acende a Luz é um filme de muitos atores, o que sempre causou tensão em todos, pois teríamos, numa mesma cena, 28 atuando em um curta-metragem. Essa era a premissa de meus pesadelos pré-filmagem. Durante, nós fomos surpreendidos por uma frente fria com uma história que se passa em alto verão. E o mal tempo tornou-se, então, nossa maior dificuldade. Meu maior ensinamento foi sem dúvida: Cinema é feito de soluções.

Que concepção você tem de seu ofício de realizadora e/ou produtora?

Quando você pensa em realizar um filme, começa a tomar posse dele. A pensá-lo como um todo, a criar soluções. O que? Quais? Cada movimento, cada tempo para cada diálogo. Indagaremos cada uma daquelas cenas. E, durante todo o processo de levantar seu filme, algumas vezes comungaremos com nossa equipe, que nos ajudará dando as soluções para as nossas soluções. Mas existem também as equipes que teremos que lutar contra e muitas vezes combatê-las, para não nos trair. Eu tenho amado minhas equipes. E tenho sido ajudada em minhas realizações.  Porque, ao contrário de um pintor ou poeta, os realizadores de cinema são os únicos que necessitam de um exército para trabalhar. No 5x Favela somos sete diretores. Por tanto sete cabeças. Tínhamos  três histórias com um diretor e duas com dois, o que causa ainda mais dificuldade. Um mundo a imprimir, mas tínhamos também a unidade que reunia esses filmes em um único filme. O pleno exercício de generosidade intelectual a serviço do cinema.

Qual o momento da realização e/ou produção que você mais gosta e por que?

O processo com os atores. Sou atriz, tenho uma longa experiência com processos criativos em uma companhia (Nós do Morro). Sempre trabalhamos com os atores construindo textos com o dramaturgo. Os processos de montagem, ao contrário do cinema, são longos, e o nível de conhecimento e intimidade entre os atores torna-se tão alto que podem se entregar totalmente e relaxar para aquelas personagens. Gosto de ensaios! Para criar a maior intimidade possível ,não só comigo, mas uns com os outros e com quem mais chegar. Para estarem preparados para tudo mais que puder acontecer.  É bom demais ver os personagens tomando corpo, vida. Sentir seus corações pulsarem! É nas veias que circula o sangue do filme. Para o 5x Favela, fizemos um trabalho fantástico tendo como mentora a Camila Amado (atriz e preparadora de elenco). Ela pregava o amor acima de tudo. Boa parceria, estávamos todos seguros no set. Isso é importante na hora de receber e agregar os integrantes da equipe que chegam.

Como você se coloca em relação à tradição cinematográfica do seu país e a sua geração?

Meu país realizou bons filmes desde o início de sua produção no cinema. Temos realizadores marcantes na cultura cinematográfica mundial, que nos deixam como herança nosso principal movimento cinematográfico,  o cinema novo.  Muita coisa aconteceu de lá para cá. Altos e baixos permeiam nossa história. Durante os anos 90, por exemplo, a atividade cinematográfica no Brasil esteve praticamente extinta, dando origem, através do filme Carlota Joaquina, à retomada do cinema brasileiro. Minha geração cresce neste contexto e nele inicia suas produções. Hoje acho que o cinema no Brasil procura ser singular, mas também busca sua diversidade. Acredito que há cinema para todos. E que ele vem se moldando às mudanças do mundo enquanto nós o criamos, vivenciamos, comemos, digerimos, na busca de construir o nosso cinema, que seja nosso, com essência tipicamente brasileira. E o que será isso?

De que forma você integra as novas tecnologias no seu trabalho e de que forma essas novas tecnologias fazem evoluir a sua concepção do cinema?

O cinema, por contar histórias, desperta o interesse de muitas pessoas e tem a possibilidade de se transformar em espetáculo coletivo. Outro fator que contribuiu para que o cinema se transformasse em meio de comunicação de massa, foi a possibilidade de se fazer várias cópias de um mesmo negativo, cópias que seriam exibidas em vários lugares simultaneamente, atingindo um público muito maior do que os espetáculos de teatro, que exigem a presença dos atores no palco em cada uma das apresentações. Hoje, com a chegada do digital e as transmissões por satélite, acredito que cada vez mais o advento do cinema chegue mais próximo de suas vocações primordiais que são o entretenimento de massa e a divulgação e disseminação de culturas pelo mundo, atingindo maiores públicos.

Em sua opinião qual a importância do Festival de Cannes e como você recebeu o anúncio de que estava na seleção oficial deste ano?

Participar de um festival como esse é como estar sonhando com os olhos abertos. Ter um filme selecionado para passar para o púbico amante e pensador de cinema é animador, pelo retorno que dá ao filme e por ser uma chance do trabalho tomar essa dimensão. No Brasil, ao ter passado pelo festival mais importante do cinema mundial, o projeto de diretores estreantes ganha incentivo e eles já podem começar suas vidas com um selo de qualidade.

Quais são os seus novos projetos?

Ainda em construção, um roteiro de longa-metragem com dois meninos. Desenvolvo uma trama urbana e jovem, sobre descoberta da sexualidade e escolhas. Como produtora, preparo um projeto para iniciar sua caminhada em busca de recursos: 1994 (Roteiro e direção: Gustavo Melo).  O documentário Copa Vidigal – jogando pela paz (Dir: Luciano Vidigal) está em fase de finalização, ainda sem data de estréia. E em setembro deste ano tem a cine-instalação para a exposição no Centro Itaú Cultural, em São Paulo: Travelling Zona Norte (Gustavo Melo). Em agosto, junto ao lançamento do 5x favela no Brasil, lanço um livro pela coleção Tramas Urbanas da editora Aeroplano: Meu destino era o Nós do Morro.


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O começo de uma história

Por: Márcio Vito
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Márcio Vito

O ator Márcio Vito em cena no episódio "Acende a Luz", de Luciana Bezerra.

Minha expectativa era poder ser inserido numa galera que eu admiro. Estabelecer uma troca, contribuir com alguma coisa era o plus. Eu queria estar aqui. O clube era muito seleto e bom. Cacá Diegues, a galera da Cufa, o projeto, a ligação com Leon Horszman e o cinema novo, enfim. Era um alvo muito distante, mas eu sabia que poderia treinar a pontaria com afinco pra tentar chegar perto. Acertar o quadro do alvo pelo menos. Deixar sem furos a parede (falou o rei das metáforas). Eu via tudo isso como uma coisa só. A minha expectativa de estar no projeto já era em si um desafio. Depois surgiram outros, mas esse já era grande o bastante.

Do início: eu recebi um convite para fazer um teste. Vida de ator é teste. Eu não faço muitos. Não que eu deteste, mas sempre fico com a sensação de que parar a vida de ator e algum trabalho de teatro para fazer um teste junto com mais cem atores e sendo mal ratado, atrapalha tudo. Nunca vou feliz pra teste e sempre saio pior do que cheguei. Mas esse era diferente. Apareceu diferente na minha vida. Era um teste-leitura. E leitura eu amo fazer. Adoro descobrir personagem enquanto escuto as falas dos outros, enquanto imagino a cena construída.

Mandaram o texto e a empolgação aumentou. Chamei minha esposa pra ler o roteiro no computador e disse: ‘eu vou fazer o Lopes, eu tenho que ser este cara’. Nem sabia ainda para que papel tinham pensado para mim. Mas estava decidido a ameaçar o Raoni de nunca mais indicá-lo pra nada se ele não me deixasse ler o Lopes. Daí era a Luciana Bezerra que dirigiria. Eu já a acompanhava há muito tempo, como atriz forte que é e também pelo seu trabalho com o “Nós do morro”. Estava gravando a única novela na qual eu tive um personagem de ponta a ponta na história (Emmy Caminho das Índias!!! desculpem, me empolguei) e me pareceu que isso já seria suficiente para me impedir de estar no filme. Puxa, eu gravava pouco, haveria de dar certo.

Mas até aí eu não tinha feito a tal leitura. Em casa estava almoçando e jantando o roteiro da Luciana. No café da manhã voltei (como sempre faço quando o assunto é humor) ao meu gênio inspirador maior – Buster Keaton. Tenho tudo dele. Pirata, mas tenho. Enfim, letra marcada. A ansiedade de ser bacana me fez chegar um pouco atrasado no Laura Alvim. Achei um bom presságio ser no porão Rogério Cardoso. Lá fiz ótimas apresentações do monólogo de humor que tenho, onde represento o Barão de Itararé sob direção do também ator Nelson Xavier (falo pra caramba, né?!). Pensei que chegaria lá e leria o roteiro com algumas pessoas do elenco e a Luciana. Rapaz, eu entrei no porão e estava lotado. Eu nem olhei pros lados. Percebi o Cacá, falei com o Raoni e me escondi numa cadeira perto da parede lá no fundo, com o coração na mão. Fiz a bobagem de correr os olhos pela platéia e o peito só apertava. Tem um cara ali que é a cara do Caetano Veloso,  não fosse pelos óculos … Ai meu Deus, é ele! Ruy Guerra?! Claro, a produção é do Cacá, imbecil. Olhei mais um pouco e uma figura amiga. Um cara que conheço e admiro há muitos e muitos anos, um irmão que não via há tempos, destes que a vida separa em seu roteiro, mas não deixar esfriar no coração. Era o Guti Fraga. Trabalhei com ele quando tinha 19 anos. Fui assistente de produção num projeto onde ele era assistente de direção do Walter Lima Jr. Ufa, mais um. Quito. Bem pertinho. Acalmei e lá fomos nós.

Ouvi as histórias lidas. Lembro que me emocionei (como todas as vezes em que vi o filme, foram três) com Concerto para Violino. Ri muito também. Chegou nossa hora de ler e rapidinho pensei que a sensação de conhecer pouca gente estava a meu favor e lá fomos nós. Amei. Estava indo bem. Foi dando certo. O pessoal gostou. Eu me diverti muito muito muito. Fiquei com medo, me emocionei, ri e quando decidir ficar com ou sem peça pra consertar a luz, já estava mais do que decidido a brigar para ser o Lopes. No final, Ruy Guerra disse uma peróla que me fez pensar no diapasão dele, era algo sobre a importancia de não tentar ser engraçado, deixar que a situação em que o personagem estava fosse propulsora de riso, sem buscá-lo no personagem.

Foi ótimo estar ali. No que se conversava depois, surgiu a ideia de “por eles mesmos” ser “por nós mesmos”. E me senti mais dentro de tudo mais ainda. O Guti me deu um abraço generoso e eu estava mais do que confiante. Claro que isso não foi suficiente. Graças aos deuses do teatro, nunca é. Só o esforço confere vitória. Sem esforço, ou com esforço reduzido, a gente samba. Fiz mais três testes. A agenda de gravação quase me derrubou, mas entre um dalit e um técnico de luz, duas vezes gravei um e filmei o outro no mesmo dia, e numa destas jornadas fiquei 32 horas trabalhando.

E ainda querem que eu não chore ao ver o filme em Cannes, francamente.


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5xfavela por Rafael Dragaud

Por: 5xFavela
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Rafael Dragaud em Cannes

- Como foi o seu trabalho no processo de desenvolvimento dos roteiros até chegar ao tratamento final?

As oficinas duraram três meses, reuniram mais de 200 alunos e aconteceram em ONGs que funcionam no Vidigal (Nós do Morro), Parada de Lucas (AfroReggae), Lapa (Cinemaneiro, atendendo várias comunidades), Complexo do Alemão (Central Única das Favelas) e Complexo da Maré (Observatório das Favelas). Num primeiro momento, os alunos foram convidados a se sentir capazes de criar um filme.

A idéia era: vocês podem sim fazer um filme! E que tipo de filme seria esse? O que importa num filme? O que é um filme bom pra vocês? Como fazer um filme que seja a sua cara, e não a cara da novela ou de outros filmes que não representam a favela?  Em seguida, eles apresentavam ideias, sentimentos, e passamos algumas aulas transformando essas coisas em argumentos de cinco linhas e clareando ideias, trajetórias, conflitos. Essa etapa foi dedicada a todos entenderem sobre o que é a proposta do filme, pois em cinco linhas só se comunica o essencial.

Depois que cada um conseguiu fechar um argumento de cinco linhas minimamente claro, aí sim rolou a votação. Depois do melhor argumento eleito, dividi a turma em grupos e comecei a ensinar como desenvolver uma sinopse de 15 linhas com todos os personagens da trama e com começo, meio e fim. Depois dessa etapa, elegemos as melhores ideias das sinopses e as reunimos em uma única sinopse. Em seguida, ensinei a fazer uma escaleta, seguindo esse mesmo processo. Escolhemos os melhores momentos das escaletas dos quatro grupos e reunimos numa escaleta única. Depois, ensinei a fazer cenas e diálogos. Mais uma vez, elegemos as melhores cenas e juntamos num roteiro único. Por fim, fizemos um polimento final para que as cenas tivessem unidade de intenção, linguagem e ritmo.

- Qual era sua expectativa inicial sobre o projeto 5xFavela? Quais desafios você via no projeto?

Eu não crio muita expectativa com meus projetos. Mas posso te garantir que jamais imaginei que alcançaríamos um resultado tão coeso e tão diverso ao mesmo tempo, tão relevante… Cannes, etc.. Os desafios são aqueles que têm a ver com todo projeto pioneiro: quebrar as barreiras, criar novos modelos, preconceito, descrença… Alias uma coisa que me surpreendeu muito nesse filme foi a dificuldade em conseguirmos apoio. Não consigo imaginar que algo que tenha o Caca na coordenação geral e que seja tão importante pro Brasil tenha essa dificuldade.. Mas foi o que aconteceu. Se não fosse a teimosia do Cacá e da Renata esse projeto ficaria numa gaveta.
- Os episódios falam de pessoas e abordam sentimentos que são universais. De que forma você percebe o reflexo da vivência na favela na forma que as pessoas elaboraram o roteiro?

Acho que existe uma forma de amor que eu só percebo na favela, entre os pobres. Eu não sou a favor de romantizar a vida do pobre apenas porque ele é pobre, mas de verdade não vejo isso em outros lugares. É um jeito de viver mais mergulhado na vida. Não conheço, por exemplo, pobre blasé, deprimido, essas coisas… Pobre não têm tempo pra perder com isso!  Acho também que todos os episódios abordam de certa forma a questão da “oportunidade”. Interpreto isso como uma manifestação de um desejo muito forte do coletivo de pessoas que foram ouvidas nas oficinas. É como se a favela clamasse por oportunidade, seja ela a primeira, a segunda ou a terceira. Todo mundo tem direito e parece que a favela não. Acho que ela quis usar o filme pra poeticamente dizer isso. É lógico que disse muitas outras coisas, mas essa é que mais me marcou.

- O que esse trabalho trouxe de novo para a sua experiência profissional e/ou pessoal?

Eu dou aula de roteiro há 7 anos no curso de audiovisual da CUFA, ou seja, eu já tenho essa vivência. Mas “o novo” é o orgulho de ter contribuído com um projeto que voou mais longe e voou bonito! Esse projeto é um marco histórico no audiovisual brasileiro. Ele fala de Brasil, de um jeito brasileiro de fazer cinema, um jeito verdadeiro e nosso. Me perguntam se acho que o filme vai bombar na bilheteria. Na boa, que os diretores e Caca não me ouçam, mas num to nem aí! Entramos pra história com esse filme. Será ótimo festejar um sucesso de bilheteria, mas pensar apenas nisso é pensar pequeno. Esse filme é sem duvida uma das coisas mais relevantes que já fiz.

- O que você considera mais audacioso no 5xFavela e por quê?
Acreditar em pessoas que ninguém acredita. quer dizer, ninguém acreditava. Porque agora não tem mais jeito! Perdeu, playboy!

- Pensando em modos de se fazer cinema, qual a diferença entre esse filme e outros que abordam a temática de favela? O que é, para você, essa visão “por nós mesmos”?

É apenas isso. Agora é a vez de a própria favela contar sua versão. Essa idéia é de uma simplicidade desconcertante. Alias, pra mim, essa é a essência da genialidade: a simplicidade. E acho que é por isso que as pessoas ficam tão impactadas.  Outro dia, eu saque um história que tem a ver com isso… Todo mundo sabe que o Gianfrancesco Guarnieri escreveu em 1958 a peça Eles Não Usam Black Tie (que depois, em 1981, inspirou o filme de mesmo nome, do Leon Hirszman). O bacana é quando o Adoniram Barbosa foi compor a música pra peça, fez uma “pequena” modificação no título.  Ele compôs um samba chamado “Nóis Não Usa os Bleque Tais”. Mudou a pessoa do verbo da mesma forma que a gente agora. Quer dizer, o Adoniram era tão operário quanto o Tião da peça que tem que furar a greve porque a namorada ta grávida e ele não pode correr o risco de perder o emprego. O Adoniram se sentiu e talvez estivesse mesmo mais próximo do Tião do que o próprio Gianfrascesco. Enfim, essa história tem a mesma natureza da que estamos falando com o Cinco Vezes Favela. As posições, as vezes ficam claras em alguns processos e  isso é bom pra todo mundo.

- Quais desafios a equipe encontrou durante o desenvolvimento do roteiro?
Falta de grana… o resto no fundo é divertido!


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Diário de Filmagem (parte 1)

Por: Luciana Bezerra
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13 de julho – 5h da manhã

Segunda-feira, 2009.

Luciana durante o set de Acende a Luz

Acordei para o set em dia de sol.  Animada.  Escolhi o livro de onde sairíam pérolas literárias que pudessem alimentar minha imaginação. Escolhi a poesia. Já fazia o exercício há vários dias.  Haviam passado por mim e repousavam ao lado do computador e no chão a esquerda da cama e em pequenos trechos em meu caderno de anotações: Rimbaud, Waly, Guimberg, Quintana, Neruda, Srtα. Plath… Mas para esse momento era preciso uma lâmina.  Escolhi as imagens de Ana Cristina Cezar. Precisava me concentrar para que todo aquele universo coubesse em uma simples história cotidiana de 20 minutos.  Era a vida em vinte minutos. E algumas possibilidades de enquadramentos. Mas por que não?  Esta moça, por exemplo, consegue por a vida em dois versos.  Sim é possível. (mais…)


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ACENDE A LUZ

Por: 5xFavela
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É véspera de Natal e o morro está sem luz há três dias. Os técnicos enviados pela companhia de luz não conseguem resolver o problema, os moradores seqüestram um funcionário dela e o fazem de refém, até que a luz volte. O funcionário se integra à comunidade e acaba se tornando o herói dela na noite de Natal.

Direção – Luciana Bezerra
Argumento – Luciana Bezerra
Roteiro – Oficina Nós do Morro (Vidigal)

Elenco:

Márcio Vito – Lopes   (Prêmio de Melhor Ator no Festival de Paulínia 2010)

João Carlos Artigos – Cimar

Dila Guerra – Lica   (Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Paulínia 2010)

Fátima Domingues – Maria

Roberta Rodrigues – Renata

Josanna Vaz – Angélica